Cirklo e ANCAT assinam termo de cooperação, para promover economia circular, durante a ExpoCatadores
Acordo prevê debate, planejamento e execução de ações conjuntas em prol da mobilização do setor para a adesão à coleta seletiva do PET integrado ao desenvolvimento da cadeia de reciclagem
A Cirklo, uma das maiores empresas de reciclagem de PET do Brasil, firmou na última quinta-feira (18/12) um termo de cooperação com a Associação Nacional dos Catadores (ANCAT) para o desenvolvimento de iniciativas que visam a promoção da economia circular no segmento de embalagens de PET. A assinatura aconteceu durante a ExpoCatadores 2025. Com o acordo, a empresa e a associação se comprometem a debater, planejar e executar ações conjuntas em prol da ampliação da adesão à coleta seletiva do PET e, consequentemente, ao desenvolvimento da cadeia de reciclagem.
A parceria com a Ancat deverá gerar oportunidades para diferentes modelos de cooperação, como a compra de matéria-prima de cooperativas associadas e outros arranjos na logística de coleta e entrega de embalagens pós-consumo para a recicladora. O objetivo é que, no médio e longo prazo, tais iniciativas se tornem escaláveis e garantam aos catadores melhores condições para a realização de seu trabalho. Segundo Irineu Bueno Barbosa Junior, CEO da Cirklo, essa é uma forma de expandir o impacto social positivo que é inerente à cadeia da reciclagem.
“Na cadeia da reciclagem, as cooperativas e os catadores são altamente importantes, uma vez que garantem a coleta, a seleção e a distribuição de matéria-prima de qualidade para a produção de resinas de PET reciclado (r-PET). E esse trabalho gera oportunidades e renda para milhares de pessoas em todo o país, promovendo, de forma direta e indireta, o desenvolvimento socioeconômico das famílias que atuam nesse segmento. Por isso, a Cirklo faz questão contribuir para a criação de soluções que possam trazer avanços ainda mais expressivos para os catadores e as cooperativas”, afirma o executivo.
Estratégias de expansão
A parceria com a Ancat é providencial para a Cirklo, tendo em vista que a empresa consolidou seu protagonismo no setor por meio de um projeto de expansão que incluiu a abertura de duas novas unidades fabris: uma em Maceió (AL), graças à aquisição da recicladora Clodax, e outra em Ananindeua (PA), em parceria com a Solar Coca-Cola. As novas fábricas aumentam a capacidade instalada da empresa para 115 mil toneladas de resinas PET recicladas por ano, gerando impacto direto para os catadores e cooperativas locais, integrando cidades do Norte e do Nordeste na cadeia da reciclagem.
“A Cirklo, como recicladora, tem a responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento social desses trabalhadores, que são agentes essenciais para a reciclagem e transformação para a economia circular. Não é apenas o meio-ambiente que se beneficia da reciclagem de PET, com a redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE) e o menor consumo de recursos naturais. A produção de r-PET também gera renda e oportunidades para catadores e cooperativas, o que movimenta a economia e traz desenvolvimento social para milhares de famílias”, diz o CEO.
Desafios da categoria
No Brasil, de acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), há cerca de 800 mil catadores em atividade, impactados direta ou indiretamente pela cadeia da reciclagem. A categoria, contudo, enfrenta desafios para ter o seu trabalho devidamente reconhecido. Em razão disso, entidades como a ANCAT, uma das responsáveis pela ExpoCatadores, celebraram a assinatura do Decreto nº 12.688/2025, conhecido como Decreto do Plástico, como uma vitória histórica da luta dos catadores. A norma, dentre outros pontos, prevê um valor mínimo de 22% de matéria-prima reciclada na produção de embalagens, melhorias nas condições de trabalho, investimentos em infraestrutura, capacitação e inclusão social e econômica dos catadores na cadeia da logística reversa.
“Essa parceria com a Cirklo surge num momento oportuno, já que em 2026, por meio do Decreto do Plástico, há a expectativa de uma nova demanda por matéria-prima reciclada, o que irá gerar um alto volume de trabalho para catadores em todo o Brasil. Para que nosso trabalho seja realizado em condições de maior eficiência e segurança, precisamos de soluções inteligentes que deverão ser construídas em um diálogo amplo com a cadeia da reciclagem. Desse modo, o acordo de cooperação com a Cirklo deverá nos trazer a criação de iniciativas que nos trarão condições cada vez melhores de promover a reciclagem e a economia circular, que são tão necessárias para o desenvolvimento sustentável do país”, diz Roberto Rocha, presidente da Ancat.
Para Irineu Barbosa, a ExpoCatadores representa um espaço estratégico para fortalecer diálogos, compartilhar práticas de profissionalização da cadeia e ampliar iniciativas que promovam impacto social. A organização do evento estima que neste ano 2 mil visitantes tenham acompanhado o evento. “O engajamento de diferentes instituições na valorização das cooperativas de catadores é base para que os avanços da categoria sejam sólidos e duradouros, gerando resultados positivos tangíveis para toda a cadeia da reciclagem”, finaliza.
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